Distúrbio do sono em idosos – alterações do sono comuns na terceira idade

Distúrbio do sono em idosos – alterações do sono comuns na terceira idade

  • 28 de maio de 2019
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Algumas alterações no funcionamento do organismo são naturais e esperadas na terceira idade. Dentre as mudanças frequentes, nesta fase da vida, estão as alterações no sono. Ou seja, distúrbios do sono em idosos são muito comuns.

No mundo todo, cerca de 60% dos adultos mais velhos têm problemas com o sono. Isto se deve a vários fatores muito comuns a esta etapa da vida, como problemas de saúde, fatores ambientais, desconforto emocional e alterações nos padrões de sono.  

Como citado acima, existem diversas causas potenciais para o aparecimento de distúrbios do sono na terceira idade. E embora existam mais de 70 distúrbios do sono conhecidos, podemos classificar os principais em dissonias, parassonias e distúrbios do sono ligados a fatores clínicos e psiquiátricos.

Dissonias em idosos

Dentre as dissonias mais comuns em idosos estão a insônia psicofisiológica, apneia do sono e o movimento periódico das pernas.

  • Insônia psicofisiológica

É considerada insônia toda dificuldade em iniciar ou manter o sono. A insônia é classificada em duas formas, tanto em relação ao período de sono quanto em relação à sua duração.

Desta forma, em relação ao período do sono, ela é classificada como inicial (quando existe uma dificuldade em iniciar o sono), intermediária (quando existe dificuldade em manter o sono) e terminal (quando apresenta despertar precoce). Já em relação à duração, ela pode ser classificada como aguda (com duração de até 4 semanas) ou crônica (com duração acima de 4 semanas). 

A insônia tem grande impacto na morbi-mortalidade. Ela pode aumentar em três vezes a probabilidade de morte em um período de três anos e meio, em idosos. Além disso, o risco de desenvolver depressão é muito maior em pessoas que apresentam insônia nesta fase da vida.

  • Apneia do sono

A apneia do sono é a parada de fluxo de ar por cerca de 10 segundos, de 5 a 10 vezes por hora de sono. Ela é mais freqüente em homens e em indivíduos acima de 60 anos de idade.

Entre os sintomas deste distúrbio estão: o excesso de sonolência diurna, depressão, cefaleia, aumento de irritabilidade, diminuição da concentração e atenção, prejuízo da memória na demência, além de um aumento do risco de morte súbita noturna.

  • Movimentos periódicos das pernas (MPP)

O MPP é um distúrbio primário muito comum no sono do idoso, caracterizado por chutes repetitivos das pernas, com duração de 0.5 a 5 segundos, e periodicidade de 20 a 40 segundos, que aparece especialmente nos estágios 1 e 2 do sono.

Ele pode se manifestar isoladamente ou associado à Síndrome das Pernas Inquietas (SPI). Entre os fatores de risco estão o avançar da idade, deficiência renal e de ferro.

Distúrbios extrínsecos do sono em idosos

Os distúrbios extrínsecos do sono estão relacionados ao ritmo circadiano, fatores ambientais, como por exemplo a higiene inadequada de sono, e consumo de substâncias psicoativas, que interferem no padrão normal de sono.

  • Ritmo circadiano

Em relação ao ritmo circadiano, idosos tendem a adormecer e acordar mais cedo gradualmente com o avançar da idade. Ou apresentar dessincronização interna entre os ciclos de sono-vigília e temperatura corporal, podendo apresentar frio ou calor ao dormir (principalmente nos pés).

  • Higiene inadequada do sono

A higiene inadequada do sono também é um fator que induz o aparecimento de distúrbio do sono em idosos.

Entre as condições de higiene inadequada do sono podemos citar fatores ambientais como a luminosidade, ruídos, temperatura ambiente, companheiro de quarto e atividades inapropriadas na cama, e a ingestão de alimentos e líquidos estimulantes, ou de difícil digestão, próximo ao horário de dormir.

Outras condições prejudiciais são os fatores comportamentais ou psicossociais como o luto, a aposentadoria, a redução da atividade física e social e pouca exposição à luz solar.

Parassonias em idosos

Entre as parassonias comuns na terceira idade estão o sonambulismo e o terror noturno, que são parassonias do sono N-REM.

Estas parassonias geralmente estão ligadas ao efeito colateral de psicotrópicos – especialmente antidepressivos – por lesão cerebral ou como distúrbio de sono secundário, gerado em consequência de outro distúrbio de sono.

Entres eles estão a apneia obstrutiva do sono e movimentos periódicos das pernas.

Distúrbios do sono ligados a fatores clínicos e psiquiátricos em idosos

  • Distúrbios do sono ligados a fatores clínicos

Existe uma variedade de fatores clínicos ligados a problemas com sono em idosos. Entre os principais estão:

  1. Alcoolismo
  2. Doença de Alzheimer
  3. Artrite
  4. Cardiopatias
  5. Doença pulmonar obstrutiva crônica
  6. Diabetes mellitus
  7. Refluxo gastro esofágico
  8. Apneia obstrutiva do Sono
  9. Úlcera péptica
  10. Procedimentos cirúrgicos
  11. Doença renal
  • Distúrbios do sono ligados a fatores psiquiátricos em idosos

As doenças psiquiátricas são um grande fator de risco para o desenvolvimento de distúrbios do sono em idosos. Em especial, podemos citar a depressão e as demências, e também as alterações emocionais, consequentes da reação às doenças clínicas comuns na terceira idade.

Além disso, pessoas com insônia tendem a desenvolver depressão.

Atenção aos distúrbios de sono no idoso

Alterações fisiológicas são comuns na terceira idade. Não raramente, elas vem acompanhadas de problemas clínicos, psiquiátricos e do sono. Ou seja, distúrbio do sono em idosos é muito comum.

No entanto, embora estas alterações sejam esperadas, mudanças como estas devem ser monitoradas, para a garantia da qualidade de vida do idoso. Desta forma, distúrbios do sono em idosos devem ser levados a sério, diagnosticados e tratados.

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